Encontro-me aqui parada nesta escrivaninha, apenas a poltrona e tantos papéis cheios de histórias que escrevemos são minha companhia por hora. Estou tão cheia de tinta que me sinto vazia por dentro. Isto soa contraditório? Mas é apenas o que sinto, por te aguardar ansiosamente, horas, dias! E você passa sempre tão apressado, sempre com um pé na porta, esperando por mais uma aventura lá fora. Lá fora deve ser lindo, mas não me interessa; eu só espero o dia que você vai me segurar em suas mãos, e tirar palavras lindas e doces da minha boca. Porque é sempre isso que acontece, mesmo se não quero ou sinto preguiça. Já estou tão acostumada com a quentura da sua palma, e a ponta dos seus dedos não doem tanto como no começo... Acho que só pode ser evidência de amor. Eu te amo, e ninguém nunca vai tirar textos tão lindos de mim, como você faz, meu poeta. Continue a me amar apesar de minha condição de caneta, continue a escrever através do tempo. A tinta pode não durar para sempre, e como será triste se tiver fim! Mas ela é permanente.
De sua, só sua, Caneta preta.
4 comentários:
Ah, se essa caneta fosse minha. Não haveria saldades nem lamentações
=P
Essa precisa estar no livro, Cake. Com certeza
Assim é á vida... Até de uma caneta: desilusões, ah, desilusões.!
Eu, particularmente, já fiz canetas durarem muito tempo, sabia? Tenho uma aqui desde que eu era pequeno (e olhe que isso tem tempo). Não se desiluda assim, um dia o escritor para em casa. Ele não pode passar fome, não é? Precisa escrever para viver. (:
Essa crônica traduz bem a realidade: tudo pode passar, mas sempre vai ter algo marcante em nossa vida!
Bela crônica Carine, parabéns!!!
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