Essa idéia de romance não me veio e tenho que admitir que talvez esteja roubando-a do meu ex. Mas sobre romances ele sabe mais que eu, que só sinto e nunca penso. Que só penso o que não sinto e no fim não sei de nada. Mas hoje, hoje o problema não é minha inconstância, pois nunca chegaria à solução. Para essa crônica dedico todo meu romance, romance crônico, incurável. O estado mais grave de mim.
Pois minha paixão eu conheço, agora se me permite, preciso pensar nas outras. Todas essas que eu vejo na rua, nos detalhes das casas. Talvez as coisas sejam um pouco mais cinzas como o asfalto do chão. Mas é quase primavera, e noto as flores coloridas e folhas verdes e algumas amarelas. Então eu conto para cada pétala e galho um amor surgindo. Nascendo como botões, puros, guardando um pouquinho da essência da vida. É tudo tão lindo e misterioso, como pessoas no baile de máscaras.
Como um sonho. Eu quero observar e conhecer o amor. Mas quando ele me tira para dançar, não consigo ver seu rosto, e seus olhos não encontram os meus. Seus olhos são tudo que lembro, e ficaram tão distantes... A verdade é que passo por todas as árvores da rua, e nunca as alcanço. Só tenho permissão e altura para tocar nas folhas que caíram, pintando de cobre a calçada. O vento as vai levando, ao mesmo tempo em que acaricia o topo do que almejo tocar.
Tempo em que vou pensando. Isso é uma doença grave. Não satisfeita com a paixão, ando procurando amor por toda a cidade. C
Um comentário:
cuidado, pq dizem q já teve gente q 'morreu' de amor... isso aí é um problema
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