9 de janeiro de 2012

Prostituta de ilusões


Vendia meu corpo. Entregava-o unicamente para esse qualquer um. Não era um qualquer, ele mexia comigo mais do que na física dita. Ela era toda ouvida, cheirada, provada. Mas eu sentia, mesmo não havendo prova de que ele também sentia o mesmo; eu esperava um dia, uma mágica, ele fazer amor comigo e pra mim e por mim. Eu sentia quando não devia sentir nada além do seu corpo no meu. Aquela vontade de experimentar sua alma na minha.
Continuava assim cedendo meu corpo. Mas não era joia, dinheiro, casa ou vida boa a recompensa. Eu me oferecia em troca do seu amor, carinho, cuidado. Eu até pagaria por isso rindo das suas piadas, eu até pagaria tentando te entender. Tentar nunca me foi esforço. Eu queria tentar. Mas o preço que se paga por ser boa demais, disposta demais, emotiva demais é aquele “eu avisei que não queria tanto”.
Então arrisquei sem ânimo, parando aos poucos, largando aos poucos. Esperando que você percebesse a falta dessa boba aqui que não queria só tocar sua pele, mas você não entendeu nada. Esperando tocar seu coração, mas meus beijos no seu peito não foram quentes o suficiente para derreter esse bloco que você esconde aí.
Rondando toda a cidade buscando ser feliz e esquecer, quando só esperava o dia em que você iria me querer além da sua porta.  C 

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