25 de janeiro de 2012

Não foi selvagem, foi a raiva


Era a última vez, eu sabia disso e até te disse. Um ano tá chegando, isso vai acabar. Mas acabar porquê? Por que não fazia mais sentido depois de tanto tempo? Por que eu cansei de te querer e me querer só pra você? Em parte sim, sim, talvez uma parte de mim já estivesse cheia de sair de casa, passar uma hora no trânsito e uma rua infinita no calor, só pra te ver. Mas se eu chamo você pra sair até a esquina do seu prédio, era uma preguiça, um tormento! - Como é longe andar dez minutos, só porque você quer. Poupe-me esse trabalho e venha pra minha casa.
Então fui pronta para convencer minha mente de que ia acabar ali mesmo, e meu corpo de que era a última vez. Já devia ter sido faz tempo, muito tempo, mais ou menos uns onze meses. Antes de começar já não devia ter sido! eu que fiquei apertando F5 por todo esse tempo. Mas estava na sua cama, num piscar de olhos só de blusa, esperando você me atacar. Não era aquele dia nem nunca que eu teria coragem de falar tudo pra você. Tudo o quê? Do eu te amo ao te odeio, amo por tudo, te odeio pelo nada que você faz mesmo sabendo do que eu sinto.
Ódio. Pela primeira vez essa coisa queimando meu peito, me consumindo... E você ao meu lado sem nem perceber, pedindo um beijo, me dando um beijo; se eu gemi foi de raiva, não de desejo. Agora eu tinha onde descontar, essa sua pele macia que eu não devia querer em cima de mim, aperto seu braço com a ponta dos dedos, ela se aproxima mais, gruda mais. Te arranho com força, puxo com força, mordo com força, você parece gostar de tudo, e eu acabo gostando também. O calor sobe mais não sei mais do quê, você me consumiu por inteira e minha ira se transformou num sorriso contido.
Acabo de olhos fechados me perguntando o motivo. Não adianta, depois de tanto tempo, tanta conversa, tantas brincadeiras e risos eu apenas não sei me convencer a te detestar. Aquela foi a última vez, e agora que acabou eu só me arrependo de não ter feito de novo e de novo enquanto pude. Ridículo e imaturo eu pensar em mais sabendo que pra você eu fui apenas mais uma. Um dia você vai se tornar isso pra mim, mas por enquanto, meu querido... O que eu faço pra me livrar de você?  C 

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