13 de janeiro de 2012

Dançando no gelo


Eu disse oi, com direito a vários o’s e muitos is. Ele respondeu um oi tipicamente seco de quem não tem um pingo de vontade de conversar. Não sei se queria puxar assunto porque ele era quieto e isso o fazia interessante ou só de pirraça. Qualquer que fosse o motivo, eu falei algo mais além do “tudo bom?“ de sempre. O cara era um chato, daqueles que só respondem perguntas e não se presta ao favor nem de colocar uma interrogação depois do ‘e você’.
Mas era engraçada, toda aquela pompa eu sei que você tá me querendo, quando eu pela primeira vez só esperava me divertir. Toda mulher é boba, o consolo é que todo homem tem um fundo de palhaço; e ele, com seu jeito de pisar em ovos, divertia a platéia de vozes na minha cabecinha perturbada. Estava sendo vítima de bullying sem nem ao menos saber, eu o estava bolinando?
Acho que não, ficava mais para dançando no gelo. Ele todo calado, frio e duro. E eu - quem se importa?– dando saltinhos, patinando e rindo. Por cima, mas com cuidado. Se não a camada racha, quebra e eu afundo. Quem disse que homem sério também não tem seus perigos? 

Um comentário:

Anônimo disse...

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Irina (quase de manhã)