18 de novembro de 2011

Chocolate e cigarro não combina


Eu pensei que podia ser real, meu querido. Mas você não passou de um sonho, desses sem pé nem cabeça que não consigo descobrir por onde começou e aonde vai terminar. Geralmente eu acordo e estou na cama sozinha. Você nunca estará comigo quando eu acordar com medo e precisar de uma mão. Nunca, você nunca esteve aqui para nada. Besteira minha pensar que poderia dar certo.
Você me comparou com o chocolate, até poderia ser um elogio vindo de outras pessoas; mas por que então, meu Deus, eu me senti como aquelas bolinhas de cinco centavos que vêm enroladas em estampa de futebol? Fácil, barata, com gosto que dá pra comer mas não se compara a nenhum Cacau Show da vida? Senti uma pena de mim e aquelas pontadas de enjoo no estômago. Tô passando mal, deve ser culpa desse gosto estranho de cigarro na sua boca.
 Então você me sorri e acho incrível a rapidez com que consigo te imaginar deteriorando. Visualizo seus dentes amarelos e a gengiva roxa, com as unhas manchadas. Podre. Tenho vontade de dizer que ainda não está assim, mas pode ficar logo, logo se continuar comprando essas carteiras de Derby toda semana.
De qualquer jeito, nem vai ligar. "É só por enquanto, enquanto não consigo me acalmar". Você tem um vício, meu querido. Vários deles. E mania de comparação, como, por exemplo: não precisa ter por que, as vezes só dá vontade de comer chocolate e pronto; e eu, querendo sempre fazer poesia com metáforas, pergunto: e se o chocolate não quiser a boca, se ele sonha com uma mão que o segure e transforme em cobertura de bolo? E se ele quiser fazer parte do bolo?
Eu percebo que é um sonho quando você diz não entender, pede para explicar... Quer dizer, somos reais, mas eu te fantasiei de uma forma tão bonita e delicada que dói saber aos poucos nem existir. Geralmente isso me frustaria ao máximo, mas por hora, não quero saber. Vou esquecer a dor, seu cheiro de cinzeiro e essas paranoias todas que invento. Afinal, mesmo eu não sendo chocolate, não meta mais sua mão pra azedar meus pensamentos, que eu vou guardar meu doce só pra mim.  C 


2 comentários:

Gabriel Camboim disse...

Ohhh, doce como o seu blog...
Parabéns, é uma das minhas preferidas!
Essa saiu no jornal?

OLIVEIRA, Carine de disse...

Obrigada! :3 Ficou preferida rápido heim?
Não, não foi essa que saiu no Jornal.
Beijo!