Tenho vontade de cantar músicas românticas a todo instante, mas apenas as ouço. Se entrassem em meu quarto agora, me veriam em pedaços. Meu travesseiro não me aguenta mais, ele que sempre foi tão paciente... A parede já cansou de escutar meus desabafos sem sentido, vezes sem fim, mas nem tem como escapar. Lembro-me dele, sorrio. Lembro-me dele, choro. Quanta inconstância em uma só pessoa!
Escrevo poemas dentro da minha mente, e para colocá-los no papel falta ânimo. Não tenho coragem de tornar meu sentimento real, não tenho a audácia de abrir minha mente tão bem para um caderno que mal conheço. Minha cama e parede não, eles me acompanham desde muito tempo.
E para quê gastar tanto papel com besteira? Vai passar, não é nada, é frescura, isso sim. Repetem a todo instante o quão burra sou. Apenas concordo, pois tenho de ser. Não me deram outra opção quando escolhi sentir isso. Foi uma troca, talvez até justa, reparem: deram-me o amor e levaram a sanidade.
Prefiro ser louca, pois me sinto bem. Não faz mal uma confusão de vez em quando. Assim como meu quarto, bagunçaram-me. Retiraram meus olhos, trocaram a boca pelos ouvidos, não controlo mais minha respiração, e pior, trocaram meu cérebro pelo coração.
Estou apaixonada, confesso. E magoa muito - mais do que deveria - a certeza de um sentimento não correspondido. C
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