Foram vários os meses que eu passei com ele, e pouco o tempo que se passou desde o fim. Mas eu ainda consigo sentir seu cheiro, às vezes, e sou pega de surpresa com o coração rápido, buscando de onde vem. Ta sentindo isso? O cheiro de pipoca? Não, um perfume doce... Ta sentindo? Não. Tudo bem. Então percebo que saiu da minha mente, aquela estranha felicidade. Acabou. Meus olhos antes dilatados se enchem de lágrimas, e a pipoca começa a tomar conta do ar.
Não durou nem um pouco, levando em consideração o que eu previa e não se tornou. Desejo tantas coisas sozinha na minha cama. E quando paro um momento, experimento a sensação do seu corpo sobre o meu, o cobertor frio por causa do ar-condicionado no quarto fechado e o calor do toque na minha pele. O arrepio é verdadeiro. Tento procurar sua mão, fazer um carinho.
Desperto, e com poucos segundos me torno melancólica por não ser real. Não tenho razão para ficar acordada e volto a pensar no seu corpo, tão perfeito. Sua perna fofa e branca, e linda. Seu pé que eu adorava mexer com a ponta dos dedos, e travar uma batalha para fazê-lo parar de balançar. Sua língua comprida que me fazia inveja por conseguir enrolar na ponta. Ria tanto, e tentava mordê-la de leve, e nos beijávamos, e começava tudo de novo.
A cor dos seus olhos está em tudo que eu vejo. Nos lençóis, na minha blusa, no céu. Eu ficava toda boba quando eles sorriam para mim. Ou quando você inclinava a cabeça um pouco mais para cima, sem realmente enxergar o alto, e abria levemente os lábios. Enquanto eu observava seus movimentos de baixo, me excitando junto com você. E vinha aquela vontade louca de ter seus olhos, sua boca, seu tudo. Fazendo-me sentir tão perto, tão perto...
Mesmo eu que nunca gostei da idéia de ser um, sendo dois. Sentia-me unicamente sua. Hoje sei. Muito mais que falta, me arranca pedaços não tê-lo junto a mim. C
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