Tentei declarar meu amor ao te ver, imaginando serem os olhos um espelho da alma, porém o tempo não foi suficiente, e você fugiu de mim piscando. Busquei esquecer, procurando algo. Encontrei o mar.
O mar sempre encantou todos meus sonhos azuis; tão imponente que assusta, ao mesmo tempo em que convida para descobrir. Jogar-me na correnteza nunca foi difícil. Quero flutuar, enquanto ela me puxa para baixo. Ah, Gravidade, livre meus pensamentos, para mesmo que meu corpo afunde, possam permanecer no céu.
O céu... Seria o começo do mar ou uma brincadeira de contrastes? Voei alto enquanto permaneci sentada, admirando a vista; minhas asas eram de lembranças, não de penas. Afinal, pena é algo que sentimentos quando não existe paixão para pôr o prefixo com. Mas ainda tenho paixão, seus olhos inspiram saudades do meu fôlego.
É que você também sempre encantou meus sonhos azuis; a sua essência na minha mente ou peito me deixa confusa. Cabeça no chão, pés nas nuvens, tudo trocado. Chega um ponto, já não sei mais se fico ou me afasto de você.
Me afasto de você. Deixo meus pés de repouso na água, um susto: vocês são um só, ou enlouqueci sentindo a mesma temperatura do seu corpo? Acredito no que quiser quando se trata de amor, ele não está em lugar algum. Suposições e poréns não significam mais. Comparações são bem vindas.
Abraçar você é como parar na areia da praia e ser abraçada pelo vento forte, mesmo que cause frio e dor para absorvê-lo, me faz ter certeza de que não há nada melhor que essa sensação no estômago. São borboletas?
Muito maior, pássaros.
E não há mais por onde escapar. Sou apenas um barquinho à deriva, naufragando feliz na imensidão dos seus lençóis. Submerso em seu tudo, que me envolve, ondeia. Como se o litoral fosse o fim, e estivesse sempre caindo para o desconhecido. C
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