É incrível como uma coisa tão simples, como o mesmo número repetido em uma data, pode causar nas pessoas um sentimento diferente. A manhã começou cedo como sempre quando acordei para ir ao estágio. “Onze do onze do onze”. Pensei. Lua cheia ainda por cima! Sou meio supersticiosa. O número um significa o começo; vários uns seguidos! Adorei a ideia, vou recomeçar meus estudos, relacionamentos, jogar as coisas foras, comprar coisas novas, que tal? Já cortei o cabelo mesmo!
O engraçado é que não sou só eu que fico falando pra todo mundo o dia tão exclusivo. Cheguei no trabalho, Mildeck estava comentando. Repetia a data com aquela voz de locutor de rádio, e falava que isso significa o tempo, o tempo que a gente já perdeu. Depois corrigiu, assim parecia desperdício; é o tempo que a gente viveu. Viveu! Acho que tenho a alma velha, pois pra mim parece tanto, não por ser fardo, ou como se já tivesse o suficiente. Mas porque quero viver muito, e cada ano, por menos que for, é único e deve ser aproveitado.
E esse está acabando. Geralmente minha felicidade na reta final fica no auge, mas nesse dia repetido tão especial, senti pela primeira vez uma pitada de melancolia. Combinamos, eu e Milton, de fazer um minuto de silêncio quando desse 11h11min. Pelo quê? Não sei, pra mim talvez pelo tempo restante, e pra ele pelo restinho. Saudosos setenta, ele. Até bem conservados, com aquele sorriso de menino travesso, penso que quero ser assim quando for velhinha.
Mas nossos sorrisos se tornaram tristes quando vimos o relógio. Já eram quase doze. A hora especial do dia especial havia passado sem que a gente percebesse e se sensibilizasse. Passou, eu disse. Foi como se tivéssemos perdido o momento perfeito. O clima ficou meio murchinho. Ainda vem doze do doze, quis animar. Mas esse nós esquecemos.
Bobagem. Por mais simbólico que sejam as horas e datas, o mais marcante é aquilo que passamos nelas. Hoje eu vou lembrar dele, da chuva que me pegou de surpresa e da mosquinha do café que não fui eu que tomei. Esse ano vou lembrar das crônicas do Gabriel, de ter sido um pouquinho mais romântica e maluca que o normal, e da Lua, que minguou pra nunca mais. No final de todas minhas décadas, já vou ter esquecido as horas e os dias específicos para cada acontecimento. Porém o mais importante vou lembrar: eu vivi, eu amei. Onze, doze, treze e além. C

Um comentário:
"As crônicas do Gabriel"? Own, Cake você sempre surpreendendo? Gostei bastante. Mas uma informação: lançaram um filme de terror com o nome 11-11-11
=|
Postar um comentário