Meus olhos fecham involuntariamente, não sinto sono, não sinto dor, não estou presa a nenhuma dessas necessidades vãs. Mas eles (os olhos) tendem a encarar a escuridão de um sentimento nobre e delicado como o aconchego do seu abraço, que não tem temperatura alguma senão a do nosso amor. E qual seria a temperatura, o cheiro ou a cor para tão perfeita ocasião? Não tem, não tem.
Já fomos fogo, como dois amantes desesperados em fugir do ócio que coisas vividas traz, queimando num gesto de urgência até os lençóis, colchão, parando no contraste do piso duro... Já fomos frio, daqueles dias de inverno (se é que isso existe nessa cidade) onde as gotas da chuva paradas em minha pele atenuavam o arrepio quando encontrava o ar gelado do quarto. E cada toque tinha cheiro de solidificação, e juntos éramos um só cubo de gelo...
Mas cansa, um dia cansa ser tantos casos e coisas. Gradualmente viramos esse objeto estranho, sem forma, sem nada, num mundo que todos querem se mostrar. Nada. Nós apenas nos encondemos um no outro, em baixo de cobertores, na cama do seu quarto, num apartamento de um prédio qualquer. Eu o escondi, perfeito, com todos os erros naquele lugar irreparável de tudo que sou e tenho. E ele fez o mesmo por mim. Pois o amor que sentimentos é isso: puro, estranho e simples. C
4 comentários:
minha escritora predileta, s2
É lei. Água quando exposta a temperaturas muito baixas, acaba congelando. Água - essencial - vitalícia - necessária - procurada - amor.
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