2 de agosto de 2012

Depois da Meia-noite


Bati a porta do carro e virei o rosto, trocando um sorriso de cumplicidade; nesses poucos segundos senti uma leve excitação tomando conta de nós, como uma corrente elétrica que passasse de um corpo para outro continuamente. O carro arrancou de vez. O som ligado num volume baixo o suficiente para não atrapalhar nossos pensamentos.
- Estamos livres! – batiam os corações descompassados. – estamos livres! – os pneus catavam no asfalto rumo ao desconhecido.
“Estamos livres”, tinha vontade de gritar para toda a cidade; quase o fiz, mas minha voz sairia rouca de tanta emoção. No meu pensamento ainda ouvi o eco: livres, livres, ivres...
Sorri, ele repousou a mão sobre a minha antes de passar para a quarta marcha, talvez ao perceber ansiedade nos meus gestos, querendo escapar logo do que passou.
É uma fuga perfeita, a fuga definitiva para dois amantes, atravessando linhas imaginárias, imaginando os beijos a nos esperar. Sem medo, sem esconder sentimentos, nem julgamento de gente que nunca se entregou ao amor. Ouço-o cantarolando uma música; com um sorriso, os olhos pequenos e as bochechas rosa. Amo-o então, confiante no caminho, independente do lugar onde vamos chegar.

“Depois da meia noite/ Nós ascendemos as luzes da cidade/ Nos abraçamos e ficamos juntos/ até nascer o sol...”  C  

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