12 de julho de 2012

Antes de dormir


Saí da sua casa, você estava todo de azul, até os olhos. E eu com minha calça e tênis velho. Seu cabelo tão loiro, tão lindo... E o meu penteado bagunçado. Seu rosto corado, minha cara de sono. Você se arrumou em três minutos, apenas colocando a roupa e sorrindo. Eu demorei um pouquinho, e continuei me sentindo um lixo.
Mas você estava ao meu lado. Esperou com calma eu sair pra trancar a porta. Acertou qual elevador iria chegar primeiro, apertou no piso e depois no subsolo. Pediu um beijo antes de ir embora, quis um abraço. E eu e minha vontade de chorar que continuou até depois que sentei no ônibus. Ainda consegui ver um carro saindo, não sei se era o seu. Gostei de imaginar que sim, e que você pensava em mim. Algumas lágrimas caíram, junto com a música que cantava. “Não quero ser a boba que não pode ficar sem você”. Mas eu já sou, que inútil.
O que eu fiz pra merecer toda essa sua beleza e graça que nem é minha, mas come alguns pedaços da minha alma toda vez que posso olhar nos seus olhos? São eles agulhas que furam meu peito? Só isso explica a dor. Mas que dor é essa que eu procuro tanto, e faz tão bem? Eu poderia me perder olhando todos seus detalhes, todas as cores que deixa tão vivo o seu rosto. Eu poderia perder o sono, apenas pra escutar sua voz.
Já são quase dez da noite e nenhuma ligação. E tinha pedido para eu ligar quando chegasse. Não, eu desliguei o celular. MSN? Aparecer offline. Quero saber até que ponto se preocupa, se o suficiente pra ligar para minha casa. E se eu tivesse sido atropelada? Assaltada? Morta com um tiro perdido? Você nunca saberia.
E se você estiver no hospital agora? Eu sabia que ia acabar ligando. Deixa eu pegar o celular e discar seu número, deixa eu perguntar aonde você está. Mas antes esperar, pra ver se não chega mensagem de ligação perdida. Nada, nada. Por quê?
Acabo por discar seu número, e pedindo desculpa por não ter ligado. Cada um em sua casa. Minha voz meio de choro, mas nem dá pra perceber, ou melhor, se confunde pelo sono. A sua de pouco caso. Eu liguei pra me magoar mesmo. Desligo dizendo beijo, você deseja boa noite. Mas eu só quero que você saiba, eu preciso falar, apesar de ser óbvio.
Eu te amo, muito.   C  

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